Bíblia Sagrada, a revelação de Deus para o homem

A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Tudo que Deus tem para o homem e requer do homem, e tudo que o homem precisa saber espiritualmente da parte de Deus quanto à sua redenção, conduta cristã e felicidade eterna, está revelado na Bíblia.

Deus não tem outra revelação escrita além da Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar o Livro e apropriar-se dele pela fé.

“O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo, e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo”

O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo, e praticar a Bíblia para ser santo.

Pela Bíblia, Deus fala em linguagem humana, para que o homem possa entendê-lo. Por essa razão, a Bíblia faz alusão a tudo que é terreno e humano. Ela menciona países, montanhas, rios, desertos, mares, climas, solos, estradas, plantas, produtos, minérios, comércio, dinheiro, línguas, raças, usos, costumes, culturas, etc.

Isto é, Deus, para fazer-se compreender, vestiu a Bíblia da nossa linguagem, bem como do nosso modo de pensar.

Se Deus usasse sua linguagem, ninguém o entenderia. Ele, para revelar-se ao homem, adaptou a Bíblia ao modo humano de perceber as coisas. Destarte, o autor da Bíblia é Deus, mas os escritores foram homens.

Na linguagem figurada dos Salmos e das diversas outras partes da Bíblia, Deus mesmo é descrito e age como se fosse homem. A Bíblia chega a esse ponto para que o homem compreenda melhor o que Deus lhe quer dizer.

A existência da Bíblia até os nossos dias é milagre

Há nela 66 livros, escritos por cerca de 40 escritores, cobrindo um período de 16 séculos. Esses homens, na maior parte dos casos, não se conheceram. Viveram em lugares distantes de três continentes, escrevendo em duas línguas principais.

Devido a estas circunstâncias, em muitos casos, os autores nada sabiam sobre o que já havia sido escrito. Muitas vezes um escritor iniciava um assunto e, séculos depois, um outro completava-o, com tanta riqueza de detalhes, que somente um livro vindo de Deus podia ser assim. Uma obra humana, em tais circunstâncias, seria uma babel indecifrável!

Consideremos alguns pormenores dessa harmonia

1)  Os escritores foram homens de todas as atividades da vida humana, daí a diversidade de estilos encontrados na Bíblia.

Moisés foi príncipe e legislador, além de general.

Josué foi um grande comandante.

Davi e Salomão, reis e poetas.

Isaías, estadista e profeta.

Daniel, chefe de estado.

Pedro, Tiago e João, pescadores.

Zacarias e Jeremias, sacerdotes e profetas.

Amós era homem do campo: cuidava de gado.

Mateus, funcionário público.

Paulo, teólogo e erudito, e assim por diante.

Apesar de toda essa diversidade, quando examinamos os escritos desses homens, sob tantos estilos diferentes, verificamos que eles se completam, tratando de um só assunto! O produto da pena de cada um deles não gerou muitos livros, mas um só livro, poderoso e coerente!

2) As condições. Não houve uniformidade de condições na composição dos livros da Bíblia. Uns foram escritos na cidade, outros no campo, no palácio, em ilhas, em prisões e no deserto.

Moisés escreveu o Pentateuco nas solitárias paragens do deserto.

Jeremias, nas trevas e sujidade da mas-morra.

Davi, nas verdes colinas dos campos.

Paulo escreveu muitas de suas epístolas nas prisões.

João, no exílio, na ilha de Patmos.

Apesar de tantas diferentes condições, a mensagem da Bíblia é sempre única. O pensamento de Deus corre uniforme e progressivo através dela, como um rio que, brotando de sua nascente, vai engrossando e aumentando suas águas até tornar-se caudaloso. A mensagem da Bíblia tem essa continuidade maravilhosa!

3)  Circunstâncias. As circunstâncias em que os 66 livros foram escritos também são as mais diversas.

Davi, por exemplo, escreveu certas partes de seus trabalhos no calor das batalhas;

Salomão, na calma da paz… Há profetas que escreveram em meio a profunda tristeza, ao passo que Jo­sué escreveu durante a alegria da vitória. Apesar da pluralidade de condições, a Bíblia apresenta um só sistema de doutrinas, uma só mensagem de amor, um só meio de salvação. De Gênesis a Apocalipse há uma só revelação, um só pensamento, um só propósito.

4) A razão dessa harmonia e unidade. Se a Bíblia fosse um livro puramente humano, sua composição seria inexplicável. Suponhamos que 40 dos melhores escritores atuais, providos de todo o necessário, fossem isolados uns dos outros, em situações diferentes, cada um com a missão de escrever uma obra sua. Se no final reuníssemos todas as obras, jamais teríamos um conjunto uniforme.

Seria a pior miscelânea imaginável! – Concorda o leitor? Pois bem, imagine isto acontecendo nos antigos tempos em que a velha Bíblia foi escrita… A confusão seria muito maior! Não havia meios de comunicação, nem facilidades materiais, mas dificuldades de toda a sorte. IMAGINE O QUE SERIA A BÍBLIA SE NÃO FOSSE A MÃO DE DEUS!

A BÍBLIA COMO LIVRO

A Bíblia é um livro antigo. Os livros antigos tinham a forma de rolos (Jr 36.2). Eram feitos de papiro ou pergaminho. O papiro é uma planta aquática que cresce junto a rios, lagos e banhados, no Oriente Próximo, cuja entrecas-ca servia para escrever. Essa planta existe ainda hoje no Sudão, na Galileia Superior e no vale de Sarom.

As tiras extraídas do papiro eram coladas umas às outras até formarem um rolo de qualquer extensão. Este material gráfico primitivo é mencionado muitas vezes na Bíblia, exemplos: Êxodo 2.3; Jó 8.11; Isaías 18.2.

Em certas versões da Bíblia, o papiro é mencionado como junco; de fato, é um tipo de junco de grandes proporções. De papiro, deriva-se a nossa palavra papel. Seu uso na escrita vem de 3.000 a.C.

Pergaminho é pele de animais, cortida e polida, utiliza­da na escrita. É material gráfico melhor que o papiro. Seu uso é mais recente que o do papiro. Vem dos primórdios da Era Cristã, apesar de já ser conhecido antes. É também mencionado na Bíblia, como em 2 Timóteo 4.13.

A Bíblia foi originalmente escrita em forma de rolo, sendo cada livro um rolo. Assim, vemos, que, a princípio, os livros sagrados não estavam unidos uns aos outros como os temos agora em nossas Bíblias. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no Século II, pelos chineses, bem como a do prelo, de tipos móveis, inventada em 1450, pelo alemão Gutemberg.

Até então era tudo manuscrito pelos escribas de modo laborioso, lento e oneroso.

Quanto a este aspecto da difusão de sua Palavra, Deus tem abençoado maravilhosamente, de modo que hoje milhões de exemplares das Escrituras são impressos com rapidez e facilidade em muitos pontos do globo. Também, graças aos progressos alcançados no campo das invenções e da tecnologia, podemos hoje transportar com toda comodidade um exemplar da Bíblia, coisa impossível nos tempos primitivos.

Ainda hoje, devido aos ritos tradicionais, os rolos sagrados das Escrituras hebraicas continuam em uso nas sinagogas judaicas.

Os nomes mais comuns que a Bíblia dá a si mesma, isto é, os seus nomes canônicos, são:

• Escrituras (Mt 21.42) 18

• Sagradas Escrituras (Rm 1.2)

• Livro do Senhor (Is 34.16)

• A Palavra de Deus (Mc 7.13; Hb 4.12)

• Os Oráculos de Deus (Rm 3.2)

A ESTRUTURA DA BÍBLIA

A Bíblia divide-se em duas partes principais: ANTIGO e NOVO TESTAMENTO, tendo ao todo 66 livros: sendo 39 no AT e 27 no NT.

Estes 66 livros foram escritos num período de 16 séculos e tiveram cerca de 40 escritores. Aqui está um dos milagres da Bíblia! Esses escritores pertenceram às mais variadas profissões e atividades, viveram e escreveram em países, regiões e continentes distantes uns dos outros, em épocas e condições diversas, entretanto, seus escritos formam uma harmonia perfeita.

Isto prova que um só os dirigia no registro da revelação divina: Deus!

A palavra testamento vem do termo grego “diatheke“, e significa:

a) Aliança ou concerto, e b) Testamento, isto é, um documento contendo a última vontade de alguém quanto à distribuição de seus bens, após sua morte.

Esta é a palavra empregada no Novo Testamento, como por exemplo em Lucas 22.20.

No Antigo Testamento, a pala­vra usada é “berith” que significa apenas concerto. O duplo sentido do termo grego nos mostra que a morte do testador (Cristo) ratificou ou selou a Nova Aliança, garantindo-nos toda a herança com Cristo (Rm 8.17; Hb 9.15-17).

O título Antigo Testamento foi primeiramente aplicado aos 39 livros das Escrituras hebraicas, por Tertuliano, e Orígenes.

Na primeira divisão principal da Bíblia, temos o Antigo Concerto (também chamado pacto, aliança), que veio pela Lei, feito no Sinai e, selado com sangue de animais (Êx 24.3-8; Hb 9.19,20).

Na segunda divisão principal (o NT), temos o Novo Concerto, que veio pelo Senhor Jesus Cristo, feito no Calvário e selado com o seu próprio sangue (Lc 22.20; Hb 9.11-15). É pois um concerto superior.

Nas Bíblias de edição da Igreja Romana, o total de livros é 73. Os 7 livros a mais, são chamados apócrifos. Além dos livros apócrifos, as referidas Bíblias têm mais 4 acréscimos a livros canônicos. Trataremos disto no capítulo que estudará o cânon das Escrituras.

O Antigo Testamento

Tem 39 livros, e foi escrito originalmente em hebraico, com exceção de pequenos trechos que o foram em aramaico. O aramaico foi a língua que Israel trouxe do seu exílio babilônico.

Há também algumas palavras persas. Seus 39 livros estão classificados em 4 grupos, conforme os assuntos a que pertencem: LEI, HISTÓRIA, POESIA, PROFECIA. O grupo ou classe poesia também é conhecido por devocional.

Vejamos os livros por cada grupo:

a.  LEI. São 5 livros: Gênesis a Deuteronômio. São comumente chamados o Pentateuco. Esses livros tratam da origem de todas as coisas, da Lei, e do estabelecimento da nação israelita.

b.  HISTÓRIA. São 12 livros: de Josué a.Ester. Ocupam-se da história de Israel nos seus vários períodos: a) Teocracia, sob os juízes, b) Monarquia, sob Saul, Davi e Salomão, c) Divisão do reino e cativeiro, contendo o relato dos reinos de Judá e Israel, este levado em cativeiro para a Assíria, e aquele para Babilônia, d) Pós-cativeiro, sob Zorobabel, Esdras e Neemias, em conjunto com os profetas contemporâneos.

c. POESIA. São 5 livros: de Jó a Cantares de Salomão. São chamados poéticos, não porque sejam cheios de imaginação e fantasia, mas devido ao gênero do seu conteúdo. São também chamados devocionais.

d.  PROFECIA. São 17 livros: de Isaías a Malaquias. Estão subdivididos em:

• Profetas Maiores: Isaías a Daniel (5 livros).

• Profetas Menores: Oséias a Malaquias (12 livros). Os nomes maiores e menores não se referem ao mérito ou notoriedade do profeta mais ao tamanho dos livros e à extensão do respectivo ministério profético.

O Novo Testamento

Tem 27 livros. Foi escrito em grego; não no grego clássico dos eruditos, mas no do povo comum, chamado Koiné. Seus 27 livros também estão classificados em 4 grupos, conforme o assunto a que pertencem: BIOGRAFIA, HISTÓRIA, EPÍSTOLAS, PROFECIA. O terceiro grupo é também chamado DOUTRINA.

a.   BIOGRAFIA. São os 4 Evangelhos. Descrevem a vida terrena do Senhor Jesus e seu glorioso ministério. Os três primeiros são chamados Sinópticos, devido a certo paralelismo que têm entre si.

Os Evangelhos são os livros mais importantes da Bíblia. Todos os que os precedem tratam da preparação para a manifestação de Jesus Cristo, e os que se lhes seguem são explicações da doutrina de Cristo.

b.  HISTORIA. É o livro de Atos dos Apóstolos. Registra a história da igreja primitiva, seu viver, a propagação do Evangelho; tudo através do Espírito Santo, conforme Jesus prometera.

c.  EPÍSTOLAS. São 21 as epístolas ou cartas. Vão de Romanos a Judas. Contêm a doutrina da Igreja.

• 9 são dirigidas a igrejas (Romanos a 2 Tessalonicenses)

• 4 são dirigidas a indivíduos (1 Timóteo a Filemom)

• 1 é dirigida aos hebreus cristãos

• 7 são dirigidas a todos os cristãos, indistintamente (Tiago a Judas)

As últimas sete são também chamadas universais, católicas ou gerais, apesar de duas delas (2 e 3 João) serem dirigidas a pessoas.

d.  PROFECIA. É o livro de Apocalipse ou Revelação. Trata da volta pessoal do Senhor Jesus à Terra e das coisas que precederão esse glorioso evento. Nesse livro vemos o Senhor Jesus vindo com seus santos para:

a) destruir o poder gentílico mundial sob o reinado da Besta;

b) livrar Israel, que estará no centro da Grande Tribulação;

c) julgar as nações;

d) estabelecer o seu reino milenar.

Oh! como desejamos que Ele venha!

O TEMA CENTRAL DA BÍBLIA

Jesus é o tema central da Bíblia. Ele mesmo no-lo declara em Lucas 24.44 e João 5.39. (Ler também Atos 3.18; 10.43; Apocalipse 22.16).

Se olharmos de perto, veremos que, em tipos, figuras, símbolos e profecias, Ele ocupa o lugar central das Escrituras, isto além da sua manifestação como está registrada em todo o Novo Testamento.

Em Gênesis, Jesus é o descendente da mulher (Gn 3.15).

Em Êxodo, é o Cordeiro Pascoal.

Em Levítico, é o Sacrifício Expiatório.

Em Números, é a Rocha Ferida.

Em Deuteronômio, é o Profeta.

Em Josué, é o Capitão dos Exércitos do Senhor.

Em Juizes, é o Libertador.

Em Rute, é o Parente Divino.

Em Reis e Crônicas, é o Rei Prometido.

Em Ester, é o Advogado.

Em Jó, é o nosso Redentor.

Nos Salmos, é o nosso socorro e alegria.

Em Provérbios, é a Sabedoria de Deus.

Em Cantares de Salomão, é o nosso Amado.

Em Eclesiastes, é o Alvo Verdadeiro.

Nos Profetas, é o Messias Prometido.

Nos Evangelhos, é o Salvador do Mundo.

Nos Atos, é o Cristo Ressurgido.

Nas Epístolas, é a Cabeça da Igreja.

No Apocalipse, é o Alfa e o ômega; é o Cristo que volta para reinar.

Tomando o Senhor Jesus como o centro da Bíblia, podemos resumir os 66 livros em cinco palavras referentes a Ele, assim:

PREPARAÇÃO – Todo o AT, pois trata da preparação para o advento de Cristo.

MANIFESTAÇÃO – Os Evangelhos, que tratam da mani­festação de Cristo.

PROPAGAÇÃO – O Livro de Atos, que trata da propagação de Cristo.

EXPLANAÇÃO – As Epístolas, que são a explanação da doutrina de Cristo.

CONSUMAÇÃO – O Livro de Apocalipse, que trata da consumação de todas as coisas preditas, através de Cristo. (Dr. Cl. Scofield).

Portanto, as Escrituras sem Jesus seriam como a Física sem a matéria ou a Matemática sem os números.

O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

Data do reconhecimento e fixação do cânon do Antigo Testamento: Em 90 d.C. Em Jâmnia, perto da moderna Jope, em Israel, os rabinos, num concilio sob a presidência de Johanan Ben Zakai, reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testamento.

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

Data do reconhecimento e fixação do cânon do Novo Testamento: Isso ocorreu no III Concilio de Cartago, em 397 d.C.

A necessidade da mensagem escrita do Novo Testa­mento

A mensagem da Nova Aliança precisava ter forma escrita como a da Antiga.

Após a ascensão do Senhor Jesus, os apóstolos pregaram por toda parte sem haver nada escrito. Sua Bíblia era o Antigo Testamento. Com o correr do tempo, o grupo de apóstolos diminuiu. O Evangelho espa­lhou-se. Surgiu a necessidade de reduzi-lo à forma escrita, para ser transmitido às gerações futuras.

Era o plano de Deus em marcha! Muitas igrejas e indivíduos pediam explicações acerca de casos difíceis surgidos por perturbações, falsas doutrinas, problemas internos, etc. (Ver 1 Coríntios 1.11; 5.1; 7.1.)

Os judeus cumpriram sua missão de transmitir ao mundo os oráculos divinos (Rm 3.2). A Igreja também cumpriu sua parte, transmitindo as palavras e ensinos do Senhor Jesus, bem como as que Ele, pelo Espírito Santo inspirou aos escritores sacros. Ele mesmo disse: “Tenho muito que vos dizer… mas o Espírito de verdade… dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.12,13).

Dão testemunho da existência de livros do Novo Testamento, em seu tempo, os seguintes cristãos primitivos, cujas vidas coincidiram com a dos apóstolos ou com os discípulos destes:

Clemente de Roma, na sua carta aos Coríntios, em 95 d.C. cita vários livros do Novo Testamento.

Policarpo, na sua carta aos Filipenses, cerca de 110 d.C, cita diversas epístolas de Paulo.

Inácio, por volta de 110, cita grande número de livros em seus escritos.

Justino Mártir, nascido no ano da morte de João, escrevendo em 140 d.C, cita diversos livros do Novo Testamento.

Irineu (130-200 d.C), cita a maioria dos livros do Novo Testamento, chamando-os “Escrituras”.

Orígenes (185-254 d.C), homem erudito, piedoso e viajado, dedicou sua vida ao estudo das Escrituras. Em seu tempo, os 27 livros já estavam completos; ele os aceitou, embora com dúvida sobre alguns (Hebreus, Tiago, 2 Pe­dro, 2 e 3 João).

OS LIVROS APÓCRIFOS

Nas Bíblias de edição da Igreja Romana, o total de li­vros é 73, porque essa igreja, desde o Concilio de Trento, em 1546, incluiu no cânon do Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4 acréscimos ou apêndices a livros canônicos, acrescentando, assim, ao todo, 11 escritos apócrifos.

A palavra “apócrifo” significa, literalmente, “escondido“, “oculto“, isto em referência a livros que tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas.

No sentido religioso, o termo significa “não genuíno“, “espúrio“, desde sua aplicação por Jerônimo.

Os apócrifos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testamento, numa época em que cessara por completo a revelação divina; isto basta para tirar-lhes qualquer pretensão de canonicidade.

Josefo rejeitou-os totalmente. Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram reconhecidos pela igreja primitiva.

Jerônimo, Agostinho, Atanásio, Júlio Africano e outros homens de valor dos primitivos cristãos, opuseram-se a eles na qualidade de livros inspirados. Apareceram a pri­meira vez na Septuaginta, a tradução do Antigo Testa­mento feita do hebraico para o grego.

Quando a Bíblia foi traduzida para o latim, em 170 d.C, seu Antigo Testamen­to foi traduzido do grego da Septuaginta e não do hebraico. Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, no início do Século V (405 d.C), incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da Antiga Versão Latina, de 170, porque isso lhe foi ordenado, mas recomendou que esses livros não pode­riam servir como base doutrinária.

São 14 os escritos apócrifos:

São 10 livros e 4 acréscimos a livros. Antes do Concilio de Trento, a Igreja Romana acei­tava todo, mas depois passou a aceitar apenas 11: 7 livros e os 4 acréscimos. A Igreja Ortodoxa Grega mantém os 14 até hoje.

Os 7 livros apócrifos constantes das Bíblias de edição católico-romana são:

1)  TOBIAS (Após o livro canônico de Esdras)

2)  JUDITE (após o livro de Tobias)

3)  SABEDORIA DE SALOMÃO (após o livro canônico

4)  ECLESIÁSTICO (após o livro de Sabedoria)

5)  BARUQUE (após o livro canônico de Jeremias)

6)  1 MACABEU

7)  2 MACABEU (ambos, após o livro canônico de Ma-laquias)

Os 4 acréscimos ou apêndices são:

1)  ESTER (a Ester, 10.4 – 16.24)

2)  CÂNTICO DOS TRÊS SANTOS FILHOS (a Da­niel, 3.24-90)

3)  HISTÓRIA DE SUZANA (a Daniel, cap. 13) e

4)  BEL E O DRAGÃO (a Daniel, cap. 14)

Como já foi dito, dos 14 apócrifos, a Igreja Romana aceita 11 e rejeita 3, isto, após 1546 d.C. Os livros rejeitados são:

1) 3 ESDRAS

2) 4 ESDRAS E

3) A ORAÇÃO DE MANASSES

Os livros apócrifos de 3 e 4 Esdras são assim chamados porque nas Bíblias de edição católico-romana o livro de ESDRAS é chamado 1 ESDRAS; o de NEEMIAS, de 2 ESDRAS.

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 18 de abril de 1546, para combater o movimento da Reforma Protestante, então recente. Nessa época, os protestantes combatiam violentamente as novas doutrinas romanistas: do Purgató­rio, da oração pelos mortos, da salvação mediante obras, etc. A Igreja Romana via nos apócrifos bases para essas doutrinas, e, apelou para eles, aprovando-os como canônicos.

Houve prós e contras dentro da própria Igreja de Roma. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no cle­ro. Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos.

O cardeal Pallavaci-ni, em sua “História Eclesiástica”, declara que em pleno concilio, 40 bispos, dos 49 presentes, travaram luta corpo­ral, agarrados às barbas e batinas uns dos outros… Foi nes­se ambiente “espiritual” que os apócrifos foram aprova­dos! A primeira edição da Bíblia romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do Papa Clemente VIII.

Os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o Antigo e Novo Testamen­to; não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário e histórico. Isto continuou até 1629. A famo­sa versão inglesa de King James,de 1611, ainda os conser­vou.

Após 1629, os evangélicos os omitiram de vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre o povo simples que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.

A aprovação dos apócrifos pela Igreja Romana foi uma intromissão dos católicos em assuntos judaicos, porque, quanto ao cânon do Antigo Testamento, o direito é dos judeus e não de outros. Além disso, o cânon do Antigo Testamento estava completo e fixado há muitos séculos.

Entre os católicos corre a versão de que as Bíblias de edição protestante são falsas. Quem, contudo, comparar a Bíblia editada pelos evangélicos com a editada pelos católicos há de concordar em que as duas são iguais, exceto na linguagem e estilo, que são peculiares a cada tradução. O que alegam contra a nossa Bíblia é que lhe faltam livros e partes de outros, mas essa falta é de livros e de parte de livros apócrifos, como mencionamos.

FATOS CURIOSOS SOBRE A BÍBLIA

No começo deste século, um incrédulo desafiou “qualquer campeão da ortodoxia” para apresentar “fatos” provando a veracidade do Cristianismo.

O desafio foi lançado pelo jornal diário “Sun” de Nova Iorque. No dia seguinte, foi enviado ao mesmo jornal a resposta de um cristão protestante. Quem desafiou era um cidadão chamado W.R. Laughlin e o crente que respondeu tinha o nome de Ivan Panin.

Esse Ivan Panin depois ficou conhecido como correspondente da revista “Things to Come“, onde mantinha ele uma seção intitulada “Bible Numerics“.

Este caso foi publicado em português, na revista “O Semeador”, editada em Coimbra, Portugal, no ano de 1910. Também foi transcrito num livrinho “Inspiração da Bíblia“, do rev. Aureliano Alves de Jesus, pastor presbiteriano independente, edição de 1946.

Aqui vai a resposta de Ivan Panin ao incrédulo:

“Os primeiros 17 versículos do Novo Testamento contêm a genealogia de Jesus Cristo. São duas partes. Os versículos 1 a 11, a genealogia desde Abraão até o cativeiro.

Os versículos 12 a 17, desde o cativeiro até Cristo.

O vocabulário (no original) dos versículos 1 a 11 tem 49 palavras, ou seja, 7×7. Destas, 42(6×7) são substantivos e 7 não são.

Dos 42 substantivos, 35(5×7) são nomes próprios e 7 são nomes comuns.

Dos 35 nomes próprios, 28(4×7) são antepassados masculinos de Jesus e 7 não são.

O grego não tem algarismo, as letras do alfabeto têm valores.

A primeira letra vale 1 e a segunda vale 2, etc. Cada palavra grega tem um valor numérico.

O vocabulário todo da genealogia tem 72 palavras.

O valor numérico de todas estas palavras soma 42.364 ou 6.052 setes.

Estas 72 palavras da genealogia ocorrem em 90 formas.

Somando-se os valores numéricos das 90 formas dá 54.075 ou 7.725 setes.

O trecho que segue a genealogia conta o nascimento de Jesus, nos versículos 18 a 25.

Tem 161 palavras, 23×7. O vocabulário tem 77 palavras, 11×7 e estas 77 palavras ocorrem em 105 formas, 15×7.

No trecho em que o anjo fala com José, o anjo usa 28 palavras, 4×7. Das 105 formas o anjo emprega 35,5×7.

O valor aritmético do vocábulo é 52.605, 7.515 setes.

O total do valor aritmético das 105 formas é 64.429, 9.347 setes.

O segundo capítulo conta com a infância de Jesus.

Tem 161 palavras, 23×7, que ocorrem em 238 formas, 34×7, e tem 896 letras 128×7.

As 238 formas têm um valor numérico de 166.985, ou 23.855×7.

Este capítulo tem, ao menos, quatro divisões e cada uma apresenta o mesmo fenômeno do capítulo todo.

Os primeiros 6 versículos têm 56 palavras, 8×7, etc.

No capítulo há vários discursos: Herodes fala, os magos falam, o anjo fala.

Cada discurso é uma parte perfeita, formando um conjunto perfeito, na simetria aritmética do capítulo todo.

Não há um só parágrafo no Evangelho de Mateus que não esteja formado neste plano.

Além disto, cada parágrafo tem relação aritmética com o que precede e com o que segue.

Assim, no último capítulo, ele emprega 7 palavras que não tinha empregado antes.

No Evangelho há 140 palavras, 20×7, que não aparecem em nenhum outro livro do Novo Testamento.

Mateus emprega 140 palavras que os outros não empregam.

Como poderia ele saber que Marcos, Lucas, João, Tiago, Judas e Paulo não haveriam de usar estas palavras?

Alguém poderia pensar que Mateus escreveu depois de todos.

Acontece, porém, que Marcos mostra em seu Evangelho o mesmo fenômeno aritmético”.

No mesmo jornal “Sun“, naquela época, o Sr. S.K. Waters chamou de falsificação o último trecho do Evangelho de Marcos (Cap. 16.9 a 20).

E Ivan Panin respondeu:

“Este trecho tem 175 palavras, 25×7. Seu vocabulário tem 98 palavras, 14×7. Destas o Senhor Jesus emprega 42,6×7. Das 175 palavras ou formas das palavras, o Senhor Jesus emprega 56, 8×7.

“Das 98 palavras do vocabulário, 84, 12×7 foram usadas antes por Marcos e são empregadas só neste trecho 14, 2×7. Marcos seria então outro milagre. Marcos também parece ter escrito por último.

“A não ser que Mateus e Marcos tenham sido guiados por uma inteligência infinita (o Espírito Santo de Deus foi o inspirador).

“Interessante é que Lucas apresenta o mesmo fenômeno do número 7. Além disto, João, Tiago, Pedro, Judas e Paulo escreveram seguindo o mesmo plano de acordo com esta relação numérica.

“Deste modo se alguém não aceitar a inspiração divina, terá de admitir que são oito escritores matemáticos maravilhosos e que cada um deve ter escrito depois dos outros”.

A carta com esta resposta foi publicada pelo mesmo jornal e chamou a atenção de muita gente. Ninguém pôde refutar, mas os inimigos da Bíblia continuaram lançando ataques contra ela. Só o Espírito Santo convence o erro.

O Nome de Moisés e o 7 

Aparece o nome de Moisés, na Bíblia, 847 vezes (121 x 7).

No livro de Apocalipse é citado só uma vez. Sem esta citação, não teríamos 847.

Parece este fato indicar que Apocalipse é tão importante, que encerra mesmo o volume da Bíblia Sagrada. Moisés é o autor da primeira parte da Bíblia, era necessária esta referência em apocalipse.

Considerações Finais

O primeiro versículo da Bíblia (Gn 1.1), no hebraico é “Berechit bará Elohim ête hachamaim vaête Haéretz“, “No princípio criou Deus os céus e a terra”, tem sete palavras e vinte e oito letras (4×7). O sujeito e o predicado somam 14 letras e o objeto direto tem 14 letras (2×7).

Na obra da criação, 7 vezes viu Deus que era bom o que estava feito (Gn 1.4,10,12,18,21,25 e 31). A Bíblia começa na base de 7.

João contemplou no epílogo do Apocalipse uma visão das coisas novas, que também eram 7:

1) O novo céu (Ap 21.1);

2) A nova terra (Ap 21.1);

3) A nova Jerusalém (Ap 21.2);

4) O muro da cidade com 12 portas (Ap 21.12);

5) Os fundamentos do muro (Ap 21.12-20);

6) O rio da água da vida (Ap 22.1);

7) A árvore da vida (Ap 22.2).

A Bíblia encerra a sua mensagem com 7.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GILBERTO, Antônio. A Bíblia Através dos Séculos, CPAD

GILBERTO, Antônio, Claudionor de Andrade, Ciro Sanches Zibordi, Elienai Cabral, Elinaldo Renovato, Esequias Soares, Geremias do Couto, Severino Pedro da Silva, Wagner Gaby. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD

MELO, Joel Leitão. Sombras, Tipos e Mistérios da Bíblia, CPAD


1 Comentário para "Bíblia Sagrada, a revelação de Deus para o homem"

  • Eu gostei muito mim ajudou bastante legal
    agosto 5, 2018 (9:15 am)
    Responder

    Gostei muito um bom encinamento


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